Hospital Regional do Baixo Amazonas realiza atividades de prevenção ao câncer infantil

[15/02/2022] Na data em que celebramos o Dia Internacional de Luta contra o Câncer Infantil (15/2), o Hospital Regional do Baixo Amazonas (HRBA), referência em oncologia na região Oeste do Pará, realizou atividades de conscientização sobre o tema para colaboradores e usuários.

A programação contou com orientações, distribuição de panfletos e atividades musicais no Ambulatório de Oncologia e Clínica Oncológica Pediátrica, onde passam diariamente cerca de 180 pessoas.

Também foram distribuídas máscaras de proteção na cor laranja, em alusão ao Fevereiro Laranja, mês de conscientização sobre a leucemia, tipo de câncer que atinge os tecidos formadores de sangue, incluindo a medula óssea.

“Nosso objetivo é reforçar as informações de prevenção sobre o câncer infantil, disseminar esse conhecimento tão importante para a prevenção e o diagnóstico precoce”, ressalta a diretora Assistencial do HRBA, Camila Barral.

O oncologista pediátrico da Pró-Saúde, Fábio de Simone Piccoli, com atuação no Regional do Baixo Amazonas, explica as principais diferenças da doença de acordo com a faixa etária.

“Em adultos, o câncer está geralmente relacionado aos hábitos de vida, como tabagismo, ingestão de álcool, sedentarismo e outros. Já nas crianças, as células ainda estão em desenvolvimento e, em algum momento, acontece uma mutação que dá origem a uma célula alterada, com potencial de se desenvolver mais rápido e sem funcionalidade adequada”, explica o especialista.

O HRBA é uma unidade de saúde pública do Governo do Pará gerenciada pela entidade filantrópica Pró-Saúde, que atua como referência em média e alta complexidades para uma população estimada em 1,3 milhão de pessoas residentes em 30 municípios do Oeste do Pará, Baixo Amazonas e Xingu.

Atualmente, o hospital realiza o tratamento oncológico de 29 crianças e adolescentes. Dentre os tipos de câncer tratados estão: rim, mediastino, pulmão, partes moles, ossos, linfoma, tumor de burkitt, osteossarcoma e leucemia, sendo este último o mais prevalente.

Jeanna Stefane, de 14 anos, esteve na unidade na manhã desta terça-feira (15/2), acompanhada da mãe Adriana Cordeiro, 37 anos, para o primeiro dia de radioterapia, após o diagnóstico de um câncer no tornozelo.

“Eu observei que minha filha tinha um nódulo no tornozelo direito. Apesar de não incomodar ela, desconfiava que não era normal. Segui minha intuição, buscamos atendimento médico e descobrimos o câncer”, conta Adriana.

A mãe, que atua como técnica em enfermagem, alerta: “as vezes, uma coisa que parece simples pode ser algo grave, portanto, mães observem o corpo dos seus filhos todos os dias”.

Atenção aos sinais

O oncologista pediátrico ressalta a importância de os pais acompanharem a saúde dos filhos por meio da observação constante, consultas médicas e exames de rotina, como por exemplo, o hemograma, e compartilha alguns sinais de alerta.

“No caso das leucemias, a criança pode ter anemia, palidez, cansaço (em estágio mais grave), infecções de repetição (nem sempre com febre), e quando as plaquetas estão alteradas, podem ocasionar hematomas e sangramentos fora do habitual”, explica Fábio.

Os tumores sólidos costumam causar algum tipo de sintoma referente ao crescimento de massa. Já os cerebrais, apresentam sintomas como dores de cabeça, estrabismo, dificuldade de visão, alteração de comportamento, convulsão que não esteja relacionada a infecção e perda de equilíbrio.

O oncologista do Hospital Regional do Baixo Amazonas enfatiza ainda que o aumento dos gânglios linfáticos, as chamadas “ínguas”, também estão relacionadas ao surgimento de linfomas e leucemias.

“É normal o aumento dos gânglios em processos infeciosos, mas quando começa a crescer acompanhado de rigidez, sem dor ou febre, é fundamental o acompanhamento médico, pois há chance de ser câncer”.

No caso do câncer infantil, os pais e cuidadores devem estar atentos às mudanças e irregularidades na criança, já que o diagnóstico precoce é um fator decisivo para o sucesso no tratamento.

“Observe o comportamento da criança, ouça suas queixas, apalpe o corpo buscando volumes que não existiam antes. Se identificar qualquer alteração, procure um médico”, recomenda Piccoli.