Hospital Regional de Santarém apoia expedição que leva atendimento médico para indígenas e ribeirinhos

Equipe de voluntários que atuou no Centro Cirúrgico - Foto Arquivo Pessoal Kelly Lima

Em dez dias o projeto Expedicionários Da Saúde realizou quase 400 cirurgias, 3,6 mil atendimentos em diferentes especialidades e mais de 8 mil exames e procedimentos

(11-12-2119) – Com uma expressiva concentração de população vivendo às margens dos rios regionais, foi realizada na Reserva Extrativista Tapajós-Arapiuns (Resex Tapajós-Arapiuns), em Santarém, a 44ª edição do projeto Expedicionários Da Saúde (EDS). A iniciativa visa levar atendimento médico especializado para indígenas e população ribeirinha e conta com uma parceria estratégica do Hospital Regional do Baixo Amazonas (HRBA), unidade do Governo do Pará, gerenciada desde 2008 pela Pró-Saúde.

Complexo hospitalar montado na comunidade no meio da Amazônia – Foto Arquivo Pessoal Kelly Lima

A 44ª edição do EDS foi realizada entre os dias 29/11 e 07/12. A expedição contou com uma equipe composta por voluntários, e estruturou um complexo hospitalar com cinco salas cirúrgicas na comunidade São Miguel do Arapiuns, localizada às margens do Rio Arapiuns, no Pará, para atender indígenas e ribeirinhos que vivem geograficamente isolados.

“O HRBA deu todo apoio logístico, fez doação de vários medicamentos e equipamentos que tornaram possíveis os atendimentos. Também cedeu, temporariamente, profissionais gabaritados, como enfermeiros e técnicos de enfermagem, que ajudarem em vários setores do centro cirúrgico”, destacou um dos coordenadores da expedição, o médico Fábio Tozzi.

A Reserva Extrativista Tapajós-Arapiuns está localizada na região da Amazônia e com uma área de 647.610 hectares. É composta por 75 comunidades, das quais 26 são aldeias indígenas, com uma estimativa de 4.168 famílias, totalizando cerca de 13 mil habitantes.  Um lugar com a mais exuberante biodiversidade e lindas paisagens naturais, mas com uma população que ainda enfrenta desafios na oferta dos serviços públicos de Saúde, principalmente, por conta da logística.

O principal meio de transporte que liga os territórios da Amazônia ainda é o fluvial. Esta é uma região onde coexistem centros urbanos e comunidades isoladas, que pela distância e localização, só podem ser acessadas por meio dos grandes rios.

Quase 400 cirurgias no meio da Amazônia

Em dez dias, que totalizaram mais de 100 horas de trabalho atendendo a população, foram realizadas 395 cirurgias oftalmológicas (cataratas e pterígios) e cirurgias Gerais de média complexidade. Além disso, 3.600 atendimentos foram realizados nas especialidades de Clínica médica, Pediatria, Ginecologia, Oftalmologia, Ortopedia e Odontologia, e aproximadamente 8 mil exames e procedimentos.

Enfermeira Kelly Lima – Foto Anna Karla Lima

 Uma enfermeira transformada

Kelly Lima integra a equipe de enfermagem do Hospital Regional há 10 anos e atualmente, trabalha na Central de Material Esterilizados (CME). Em outubro, ela recebeu o convite para ser voluntária da expedição.  Na ocasião, a enfermeira tinha motivos compreensivos para não aceitar o chamado: no período da jornada estaria de férias e teria o aniversário dela e do filho para comemorar. Entretanto, Kelly acredita que sua atuação na área da saúde tem um propósito grandioso e resolveu aceitar a missão. Atitude que a transformou como profissional.

“Foi uma experiência ímpar na minha vida. Se não tivesse participado, certamente deixaria de sentir as mais lindas emoções. Levar a assistência de saúde a essas áreas indígenas e ribeirinhas, que enfrentam dificuldades para chegar aos grandes centros foi sentir carinho e amor em sua plenitude. Foi muito gratificante e recompensador”, compartilhou Kelly.

O momento que mais emocionou a enfermeira foi o pós-operatório dos pacientes oftalmológicos.  “Os pacientes que não enxergavam mesmo tendo uma catara reversível, quando a gente ia retirar o tampão dos olhos, e eles diziam que estavam nos enxergando era a maior felicidade! Poder devolver a qualidade de vida, a dignidade e a vontade de viver. Hoje posso dizer que a minha forma de enxergar o próximo se transformou”, conta a colaboradora do hospital.

Referência em saúde no Norte do Brasil

O Hospital Regional do Baixo Amazonas do Pará – Dr. Waldemar Penna, em Santarém, é uma unidade referência no atendimento de média e alta complexidades para 21 municípios no Estado do Pará. O hospital presta serviço 100% referenciado, atendendo a demanda originária da Central de Regulação do Estado, sendo referência no Norte do Brasil quando o assunto é tratamento de câncer.

Na região Amazônica, foi o primeiro hospital a obter o certificado da Organização Nacional de Acreditação com o nível máximo de qualidade, a ONA 3 – Acreditado com Excelência, sendo reconhecido como um dos dez melhores hospitais públicos do Brasil.

Certificado pelo Ministério da Saúde como Hospital de Ensino desde 2014, o HRBA é referência em pesquisa para além da região Norte e local de intercâmbio para estudantes de medicina de outros países, como Paraguai, Espanha, Bélgica e Bolívia.

O Regional do Baixo Amazonas foi o primeiro hospital público do Brasil a obter o selo internacional de sustentabilidade “Materiality Disclosures”, emitido pela Global Reporting Initiative (GRI), mediante a produção de um relatório de sustentabilidade.

“A estrutura que a unidade disponibiliza, no meio da Amazônia impressiona profissionais que vem de outras localidades e até de outros países para troca de conhecimentos. Não poderíamos deixar de apoiar uma iniciativa tão valiosa com os Expedicionários da Saúde, afinal, faz parte da nossa missão levar assistência de qualidade, e com resolutividade, às comunidades mais distantes, que enfrentam dificuldades de acesso até nosso hospital. Ações como essa mudam a realidade de uma população, mudam nossa maneira de prestar saúde”, afirma o diretor Hospitalar, Hebert Moreschi.

Apesar da proposta dos Expedicionários da Saúde ser resolver o caso do paciente no local, casos complexos que precisam de atendimento prolongado serão acompanhados pelas equipes do HRBA.

 Sobre a Pró-Saúde

A Pró-Saúde é uma entidade filantrópica que realiza a gestão de serviços de saúde e administração hospitalar há mais de 50 anos. Seu trabalho de inteligência visa a promoção da qualidade, humanização e sustentabilidade. Com 16 mil colaboradores e mais de 1 milhão de pacientes atendidos por mês, é uma das maiores do mercado em que atua no Brasil. Atualmente realiza a gestão de unidades de saúde presentes em 22 cidades de 12 Estados brasileiros — a maioria no âmbito do SUS (Sistema Único de Saúde). Atua amparada por seus princípios organizacionais, governança corporativa, política de integridade e valores cristãos.

A criação da Pró-Saúde fez parte de um movimento que estava à frente de seu tempo: a profissionalização da ação beneficente na saúde, um passo necessário para a melhoria da qualidade do atendimento aos pacientes que não podiam pagar pelo serviço. O padre Niversindo Antônio Cherubin, defensor da gestão profissional da saúde e também pioneiro na criação de cursos de Administração Hospitalar no País, foi o primeiro presidente da instituição.