Cirurgia inédita no Norte do país é realizada pelo Hospital Regional do Baixo Amazonas

(25/02/2019) O Hospital Regional do Baixo Amazonas (HRBA), em Santarém (PA), comemora um fato inédito na medicina da Região Norte do Brasil. Na última quinta-feira (21/02), a equipe cirúrgica realizou um procedimento raro e inovador de alta complexidade em uma paciente oncológica. A perfusão de membros promove a regressão de tumores e evita amputações. A cirurgia foi realizada com a participação de diversos profissionais e também fez uso da medicina nuclear.

No caso de Luziane Rodrigues da Silva, de 20 anos, o tumor encontrava-se muito avançado para ser retirado cirurgicamente. “Ela já havia realizado tratamento com quimioterapia e radioterapia e não teve regressão do tumor, então precisávamos de alternativa para tentar preservar o membro. A única alternativa que podíamos fazer era utilizar uma dose de quimioterapia muito maior do que o normal, no membro. Isso não seria suportado se fosse feito pelo nível sistêmico, ou seja, passasse pelo corpo todo”, explica o cirurgião coordenador da equipe, Marcos Fortes.

Luziane comemora o resultado. “Eu fiquei muito aliviada. Quando abri os olhos, após a cirurgia, o dr. Marcos falou que havia sido um sucesso. Eu me emocionei muito! Eu agradeço muito a Deus, primeiramente, e a ele que se esforçou para realizar esse procedimento aqui. O passo final será a realização de outra cirurgia para retirar o tumor”, conta a paciente.

O procedimento teve como objetivo isolar a circulação sanguínea da perna do restante do corpo, para que ocorresse a aplicação do quimioterápico. A temperatura do membro também foi elevada (próxima aos 40°) para obter uma resposta mais rápida. “O procedimento faz com que tenhamos uma resposta positiva de redução entre 20% a 40% no tamanho do tumor e permitir, com isso, que posteriormente seja possível operar e retirar o tumor sem precisar amputar a perna”, afirma Fortes.

Para realizar o procedimento com êxito, foi preciso contar com profissionais de diferentes áreas de atuação. “Não tínhamos contato com esse procedimento, mas foi muito bem preparado previamente. Conseguimos colocar esse membro com uma circulação isolada, ocorrendo uma perfusão isolada da circulação sistêmica desse paciente para facilitar a chegada do quimioterápico ao membro”, diz o cirurgião vascular Adelso Pedroza.

Após o isolamento, a circulação sanguínea passou a ser realizada fora do corpo, com auxílio de uma máquina que realiza o trabalho como se fosse o coração. O perfusionista Igor Oliveira Valente foi o responsável por operar a máquina de circulação extracorpórea. A paciente ficou com duas circulações diferentes, uma só para a perna, com a medicação, e o restante do corpo, sem o quimioterápico. “A importância da perfusão seletiva do membro é mantê-lo oxigenado sem dano tecidual enquanto é infundido o quimioterápico junto com o volume normal da bomba, para facilitar a circulação da medicação no membro que está com lesão”, detalha Igor.

Para monitor se o sangue estava passando da perna para o restante do corpo foi preciso utilizar a medicina nuclear. “Auxiliamos a equipe multidisciplinar durante a perfusão de membros por meio de aplicação de um marcador que faz a ligação entre hemácia e material radioativo. Fazendo essa ligação, conseguimos detectar a radiação e diferenciar a circulação extracorpórea e a circulação sistêmica do paciente. Com isso, foi possível verificar se a aplicação do quimioterápico estava restrito apenas ao membro”, conta o médico nuclear Igor Coelho.

A parte anestésica também foi fundamental. “Tivemos que analisar a medicação quimioterápica que foi previamente ministrada à paciente porque existem interações medicamentosas dos anestésicos com alguns fármacos. Houve o monitoramento da temperatura corporal e a temperatura do membro durante todo o procedimento”, diz o anestesista Marcelo Marcelo Alcoforado Diniz.

O monitoramento, tanto da circulação sanguínea quanto da temperatura corporal, é fundamental para garantir a segurança da paciente, já que a alta dose de medicação poderia ser fatal, se circulasse pelo corpo inteiro. “É uma cirurgia de altíssima complexidade, com muitas pessoas envolvidas. E a esperança é de que o resultado seja positivo”, finaliza Marcos Fortes. O procedimento durou mais de 3 horas.

HRBA

O Hospital Regional do Baixo Amazonas atende casos de média e alta complexidades e presta serviço 100% pelo Sistema Único de Saúde (SUS). No Norte do País, o hospital avança em serviços de saúde, com a implantação de programas de transplantes renais, cirurgias cardíacas e a consolidação do tratamento oncológico. A unidade atende uma população estimada em mais de 1,1 milhão de pessoas, residentes em 20 municípios do Oeste do Pará.

O HRBA é uma unidade pública e gratuita de saúde, pertencente ao Governo do Pará e administrado, desde 2008, pela Pró-Saúde Associação Beneficente de Assistência Social e Hospitalar, sob contrato de gestão com a Secretaria de Estado de Saúde Pública (Sespa).

No Norte do Brasil, foi o primeiro hospital público a obter o certificado máximo de qualidade, a ONA 3 – Acreditado com Excelência, concedido mediante o cumprimento das melhores práticas hospitalares e de qualidade assistencial. O HRBA também se tornou o primeiro hospital público do Brasil a obter o selo “Materiality Disclosures”, emitido pela Global Reporting Initiative (GRI).

Sobre a Pró-Saúde

A Pró-Saúde é uma das maiores entidades de gestão de serviços de saúde e administração hospitalar do País. Tem sob sua responsabilidade mais de 2.068 leitos e o trabalho de cerca de 16 mil profissionais, sendo 2,9 mil médicos, contribuindo para a humanização do atendimento hospitalar, em especial do SUS. Com excelência técnica e credibilidade nacional, é uma Organização Social de Saúde (OSS) que oferece uma gama de serviços em benefício da vida. A atuação na área de administração hospitalar tornou a entidade amplamente reconhecida no setor e permite que a Pró-Saúde ofereça a mesma qualidade em assessoria e consultoria, planejamento estratégico, capacitação profissional, diagnósticos hospitalares e de saúde pública, gestão de serviços de ensino e muitos outros.

A atuação da Pró-Saúde, entidade sem fins lucrativos, se alinha aos esforços da sociedade para o aperfeiçoamento dos serviços públicos de saúde. Como organização alicerçada na ética cristã e na vasta experiência católica de trabalho social, voltada aos mais diversos públicos, nas mais distintas realidades, a Pró-Saúde prima pela valorização da vida e pela defesa das condições essenciais para o desenvolvimento das pessoas.