Hospital Regional de Santarém supera marca de 50 transplantes

De 2012 a julho de 2019, o HRBA já realizou 149 captações de órgãos.

Equipe médica durante procedimento (Foto: Ascom HRBA)

(11/09/2019) – O Hospital Regional do Baixo Amazonas (HRBA), em Santarém, tem muito a comemorar. No “Setembro Verde”, mês que faz alusão ao Dia Nacional da Doação de Órgãos, celebrado em 27 de setembro, a unidade superou a marca de 50 transplantes de rins. Destes, 32 foram na modalidade intervivos, quando o receptor tem um familiar compatível, e 18 de doadores falecidos.

Esse “sim” dos familiares pôde proporcionar o renascimento para pacientes renais crônicos como é o caso de Mariane dos Santos, de 36 anos. “Tenho duas datas de nascimento: 18 de dezembro de 1982 e 24 de maio de 2018, esta última, dia em que fiz meu transplante. É vida nova! Agora estou vivendo tudo que não vivi quando precisava fazer hemodiálise. A vida na hemodiálise era difícil e de superação diária. Ficava noites sem dormir porque não conseguia respirar. Depois do transplante, a vida muda muito. Salve uma vida como salvaram a minha”.

Transplantada Mariane Pinheiro Nobre (Foto: Ascom HRBA)

De acordo com dados do Ministério da Saúde, em 2018 foram realizados quase 6 mil transplantes renais no país. O responsável técnico pelo serviço de transplantes no HRBA, médico nefrologista Emanuel Esposito, explica que no Brasil, cerca de 80% das necessidades de transplantes são renais e diz que a realidade de Santarém e região não é diferente. “Estamos focados nos transplantes renais porque é a maior necessidade da população. Tínhamos zero captação, hoje temos 149 captações de órgãos; tínhamos zero transplantes, hoje temos 50. Temos 30% das pessoas entrevistadas dizendo sim para doação. Numa cidade do Norte do país, no interior do estado do Pará, fazendo todo esse desdobramento em todas as fases do transplante. Sem dúvida é uma vitória, mas precisamos melhorar e continuar nessa caminhada, pois só teremos transplantes se tivermos doações”.

O Hospital Regional de Santarém é uma unidade pública de saúde do Governo do Estado do Pará e gerenciada pela Pró-Saúde Associação Beneficente de Assistência Social e Hospitalar, e iniciou a captação de órgãos em 2012. Após atender a todos os requisitos em capacitação da equipe e estrutura, realizou em novembro de 2016 o primeiro transplante de rim proveniente de doador vivo e, em maio de 2018, fez o primeiro transplante de órgão de doador falecido. De 2012 a julho de 2019 foram realizadas 149 captações de órgãos.

O diretor hospitalar do HRBA, Hebert Moreschi, comemora as conquistas, mas chama atenção para a necessidade de conscientizar mais pessoas a doarem. “Toda vez que falamos de um transplante, existe comemoração na sociedade, mas também existe uma controvérsia, porque hoje no momento em que você aborda a família de um potencial doador, infelizmente em quase 70% dos casos, há a negativa da família em fazer a doação. Nós comemoramos os transplantes viabilizados, mas temos dificuldades de ouvir um sim, da população entender a importância desse ato. Dizer sim a doação de órgão é uma opção pela vida”, ressaltou.

Com a finalidade de compartilhar os avanços e motivar mais pessoas a se tornarem doadores, o HRBA conta ao longo deste mês com uma programação de atividades relacionadas ao tema. “Doação de órgãos é mais que um ato de amor, é um ato de cidadania, porque qualquer um de nós pode um dia estar na fila para receber um órgão ou para fazer uma doação”, finalizou Moreschi.

No dia 2 de setembro foi realizado um workshop que contou com a palestra de vários médicos. No dia 10, o hospital participou da sessão comemorativa ao Dia Nacional da Doação de Órgãos e Tecidos, realizada pela Câmara de Vereadores. No dia 12 de setembro, a equipe de Organização à Procura de Órgãos (OPO) realizará uma ação com aferição de pressão e teste de glicemia, no pátio central do Paraíso Shopping, das 10h às 18h.

Receptor se recupera após transplante de rim (Foto: Ascom HRBA)

Sobre a Pró-Saúde

A Pró-Saúde é uma entidade filantrópica que realiza a gestão de serviços de saúde e administração hospitalar há mais de 50 anos. Seu trabalho de inteligência visa a promoção da qualidade, humanização e sustentabilidade. Com 16 mil colaboradores e mais de 1 milhão de pacientes atendidos por mês, é uma das maiores do mercado em que atua no Brasil. Atualmente realiza a gestão de unidades de saúde presentes em 23 cidades de 11 Estados brasileiros – a maioria no âmbito do SUS (Sistema Único de Saúde). Atua amparada por seus princípios organizacionais, governança corporativo, política de integridade e valores cristãos.

A criação da Pró-Saúde fez parte de um movimento que estava à frente de seu tempo: a profissionalização da ação beneficente na saúde, um passo necessário para a melhoria da qualidade do atendimento aos pacientes que não podiam pagar pelo serviço. O padre Niversindo Antônio Cherubin, defensor da gestão profissional da saúde e também pioneiro na criação de cursos de Administração Hospitalar no País, foi o primeiro presidente da instituição.